domingo, 21 de fevereiro de 2010

Bombril na Antena

Notas sobre a vida sem TV a Cabo

O incontestável título do Glorioso na Taça Guanabara deu origem a uma nova superstição alvinegra: a ressaca do comentarista. Na semifinal contra o Flamengo foi o Wright que apareceu com cara de ter acabado de chegar da região dos Lagos. Levou meia hora pra entender a jogada ensaiada do Fogão, que pra se defender da arbitragem, fez Fahel virar Fábio Ferreira. Na final contra o Vasquinho foi a vez de Júnior com uma rouquidão de quem emendou o desfile das campeãs com o show do Monobloco. É só garantir a night desse povo que esse ano o Campeonato Carioca é nosso.

Na escassez de filmes legais passando na TV aberta foi louvável a exibição do Os Fantasmas Contra-Atacam (1988) pela CNT, ainda que meio fora de época. Uma das poucas adaptações divertidas do conto de Natal de Dickens, mostra um executivo de TV sacana (Bill Murray no auge) como o Senhor Scrooge. Formato clássico da Sessão da Tarde é recheado de boas tiradas, “Charles Dickens gostaria de ver os seios dela.” “Meu presente de Natal, papai, o que é? Oitocentos gramas de vitela, filho.” O final é com muita glicose, mas Natal em Holywood não tem outro jeito.

O SBT se mantém na vanguarda do trash televisivo. Ao importar as pegadinhas picantes da Rússia Sílvio Santos reafirma sua missão nesse mundo. O princípio das esquetes é sempre o mesmo: mulheres razoavelmente gostosas mostrando os peitos em lugares públicos. Partindo daí criam-se as mais diversas situações em parques, restaurantes, lojas de brinquedos. Sem palavras e sem sutiãs. Com trilha sonora de videogame e animações precárias para fazer a transição dos quadros. A atração, exibida aos domingos, já é o novo coringa da programação da emissora, sendo reprisada aleatoriamente em outras madrugadas. Só não dá pra entender a reação afetada da maioria dos russos ao depararem-se com as moças desnudas. Será que esse Dostoievski é Baryshnikov?

Vendo essa euforia da Record com os Jogos Olímpicos de Inverno não compreendo como as emissoras não descobriram os Jogos Mundiais, uma espécie de Olimpíada de esportes não olímpicos. Da dança de salão ao handebol de praia Da sinuca ao surf. E com outras inimagináveis modalidades, como corfebol, punhobol e netbol. A próxima edição será em 2013, em Cáli na Colômbia. Interessados na transmissão devem contatar o departamento de comunicação da IWGA (International Word Games Assossiation) pelo e-mail com@worldgames-iwga.org.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Carnaval do Rio (dias 2,3,4,5,6...)

Alguém por acaso acreditou que eu ia realmente ficar mexendo com o blog no Carnaval? Se eu aguentasse até faria um texto sobre a natureza da ressaca e das gripes que a acompanham. Mas é o tipo de coisa que dá muito trabalho pra não ficar redundante. Nem vale a pena começar.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Mamelúdicos Eufóricos (Carnaval Rio, dia 1)


Quando a moça do carro de som citou Nietzsche senti que tinha acabado de entrar numa roubada. Mas depois da terceira Antártica tudo ficou melhor. O bloco dos “Mamelúdicos Eufóricos e outros Intereofóbicos Frenéticos” deriva de uma “oficina de dança que faz releituras de ritmos populares”. Seja lá o que isso queira dizer é preciso ter muita cara de pau pra tocar Age of Aquarius no carnaval. O bloco saiu (ou nas palavras deles se expandiu) na noite de quinta-feira em Botafogo, na esquina da Rua Real Grandeza com a Visconde de Caravelas.

A coreografia em homenagem a Elza Soares foi um dos momentos mais divertidos do desfile. Apesar do clima meio Hair não vi nem sombra de Maria. Seria já o efeito do tal de Choque de Ordem?

Era notável a presença das “novinhas de 14”. Aroma de Rexona Teen e chiclete mentolado pra Nabokov nenhum botar defeito.

As gringas também contribuíram para o deleite coletivo. Loiras da África do Sul à Alemanha. Minha primeira musa do Carnaval é dinamarquesa. Uma graciosidade de menina, fazendo seu mochilão após o fim do ensino médio. A pele alva lembrava aqueles biscoitinhos dinamarqueses que vinham numa caixa de lata e eram relativamente populares na minha infância de dólar barato. O sotaquezinho em seu inglês era de uma beleza sobrenatural. Aliás, Deus abençoe o CCAA. Valeu!

Uma coisa curiosa é que a moça tinha o mesmo nome da personagem estrangeira do livro que eu tento escrever. Já é terceira vez que ocorre algo parecido comigo. Fato que dá margens a teorias pilantras em vários campos do conhecimento humano. Minha favorita é a uma baseada na máxima de que “a unha encravada é a mais propícia às topadas.” Mas deixa o merchandising pra depois.
A melhor fantasia disparada foi a de Frida Kahlo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Palpite infeliz

Escreva o mínimo possível é um consagrado conselho para iniciantes, com variações atribuídas a diversos autores. As razões do sucesso são óbvias. A frase é um excelente modo de cortar a conversa e evitar chatos, e ainda carrega de brinde aquele tonzinho cínico que cai tão bem nos coquetéis. A maioria agradece com sinceridade à revelação recebida. Difícil é segui-la.

Com o blog a coisa degringolou de vez. Não precisa de aval de editor, dinheiro pra gráfica, o potencial de leitores é ilimitado e dizem que tem gente vivendo disso. Aí pronto, nem passando pimenta no teclado pra parar a legião de palpiteiros.

E eu entro nessa, mesmo acreditando que a última coisa que o mundo precisa é de mais gente pra dar opinião e bancar o engraçadinho. E por quê? Não sei e nem vou justificar dizendo que estou aí pra tentar descobrir. Quando a verdade é muito evidente, melhor nem dizer.

Volto pra essa vida sem assunto, reforma ortográfica ou plano de periodicidade. E já começo errado, fazendo prefácio onde não devo. Talvez um dia melhore.