sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Crítica de cinema do Galvão

Bem amigos do cinema brasileiro, o lançamento do vinho em homenagem a mim mesmo, na semana passada, resultou em uma ressaca terrível na tarde seguinte. Sabe como é, tive que provar Galvão Cabernet, Galvão Merlot, Galvão Uvas Verdes. Ossos do ofício. Nada melhor para curar uma indisposition vespertine do que um bom omelete de esturjão com molho de cramberry. Como isso eu só encontro no aconchego da minha morada em Mônaco, tive que me contentar com um cineminha mesmo. Meu erro foi ter ido na onda daquele estagiário que foi efetivado dia desses lá na Globo.

O baixinho, loirinho, com cara de bobo, acho que chama Diogo ou Diego Lift é até bom rapaz, mas como todo neófito, fã cego daquele diretor americano do queixo grande. Confiando na sua insistente indicação fui assistir ao tal “Prova de Morte”, em que o Kurt Russel é um psicopata que anda por aí com um carro especial para dublês, perseguindo umas gostosas. Ora, mas gravar pigue-pega de carro naquelas rodovias climatizadas e cheias de frescuras de Los Angeles é fácil. Queria ver era o senhor Tarantino vir cantar de galo por aqui. Agüentar uma Via Dutra, uma BR 40, uma Rio-Santos em dia de chuva.

Outra coisa que deslumbrou esse povo foi o lado feminista do filme. As moças decidiam resolver na base da porrada o problema da violência contra a mulher. Muito bonito, muito cativante, mas fico imensamente triste com a cegueira dessa gente, incapaz de reconhecer que já fizemos coisa muito melhor por aqui. Veja por exemplo a cangaceira e capoeirista Maria, protagonista do magistral “Kung Fu Contra as Bonecas”, do grande Adriano Stuart. Ou a fenomenal trama de vingança das órfãs em “As Cangaceiras Eróticas”, de Roberto Mauro. Filmes esquecidos em cópias esverdeadas, perdidos nas madrugadas do Canal Brasil.

Ah, por fim, gostaria de deixar bem claro, que aquela zona na estrada nunca aconteceria se os gringos tivessem disponível um Vigilante Rodoviário. Ele e seu cachorro Lobo acabariam com a folia num instante. Ia todo mundo em cana, Kurt Russel, gostosa 1, gostosa 2, gostosa 3, figurante do bar. E quem acha muito cool o Tarantino botar umas dublês fazendo papel de dublês é porque não conhece o Vigilante. Depois que o seriado foi cancelado, nosso herói não perdeu tempo. Fez prova pra polícia rodoviária e continuou exercendo sua vocação fora das telas, com toda estabilidade oferecida pelo funcionalismo público.

domingo, 15 de agosto de 2010

Bombril na Antena

Há mais mistérios entre o receptor e a antena do que supõe nossa vã filosofia. Sabe-se lá porque na antena coletiva do meu prédio aqui em Brasília, pega um canal de Campinas, a Rede Família. Além de uma mesa redonda dedicada inteiramente ao Guarani e a Ponte Preta, por lá passa a melhor ideia de programa do mundo. Pelo menos pra quem apresenta.

Em Caçadores de Bares, dois tiozões percorrem o interior de São Paulo e mostram os bares de cada cidadezinha. Cada um com seu apelido e figurino especiais. Caçador, que vai vestido de Indiana Jones, faz o gênero mais sério. Comediante de escada, a la Carlos Alberto de Nóbrega da Praça é Nossa. Palito vai camuflado, com um colete salva-vidas e um bonezinho. É o escrachado da dupla, personificação do Louro José.

Na edição que eu assisti a cidade escolhida foi Espírito Santo do Pinhal, que abrigava o instigante bar do Tonheca. Para encontrar o recinto, os dois foram até a pracinha da Igreja, entrevistaram uns bêbados e uns velhinhos que jogavam dominó. Tomaram um chopinho no bar Paulicéia, conversaram com o dono e quando bateu as seis horas rumaram até seu destino principal. E aí começou o show.

Enquanto o Caçador descobria os segredos do lombinho do Tonheca, Palito resolveu homenagear a cidade se vestindo de Espírito Santo. Percorria as mesas e exibia sua versatilidade como comediante, contando apenas piadas de anjo. Qualquer coisa como “fulano vira pro outro e diz? Puxa minha sogra é um anjo, o outro responde: sorte sua, a minha ainda está viva”.

O clímax do programa vem quando os dois provam a maior quantidade de petiscos que o dono do bar estiver disposto a oferecer. Tome provoleta, filé com fritas e o carro chefe da casa, o sanduíche de lombinho do Tonheca. Pouco depois, em genial golpe publicitário os dois fazem o merchandising do programa. E o patrocinador da patota é... um shake dietético. Se alguém quiser mandar uma sugestão de bar, o site deles é www.cacadordebares.com.br.